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Ortopedia

Verdades e mentiras sobre Plasma Rico em Plaquetas (PRP)


Por Dra. Ana Paula Simões | 20/01/2010 - Atualizada às 07:30

Foto 1. Plasma Rico em Plaquetas
Foto 1. Plasma Rico em Plaquetas
Foto: Arte Webrun
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O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é um novo procedimento, baseado numa idéia revolucionária: injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral uma concentração de células reparadoras do seu próprio sangue. Este concentrado, que é formado principalmente de plaquetas (daí o nome: plasma rico em plaquetas - foto 1), contém substâncias que ajudam a reparar tecidos, os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular.

Logo, o tratamento que era chamado “fator de crescimento” (hoje renomeado por levar a entender e confundir com GH- hormônio de crescimento que é doping e proibido para utilização na melhora do desempenho em atletas) foi difundido para tantos usos e tratamentos como se fosse a saída para todas as lesões.

As injeções podem ter efeitos variáveis sobre as diferentes lesões nos corpo, sobre as diferentes características físicas e clínicas de cada ser humano, não podendo assim ser banalizada e indicada sem critério. Além disso, existem várias técnicas que fazem as aplicações serem mais ou menos eficazes dependendo do kit e da empresa utilizada, dependendo da concentração adquirida das plaquetas e com resultados diversos em diferentes tecidos.

Trabalhos publicados no “American Journal of Sports Medicine e The Journal of American Medical Association”, concluem que as aplicações podem ajudar nas cicatriztações de determinadas lesões como epicondilites, mas podem ser menos eficazes em Tendões de Aquiles degenerados, por exemplo. (Foto2). Daí, a necessidade de avaliação médica e indicação correta.

Credibilidade - O procedimento geralmente não é autorizado pelos convênios, já que a técnica é recente e sem comprovações científicas nacionais, apesar dos resultados positivos que temos e vemos em congressos. Ainda não temos documentação e seguimentos em longo prazo, o que leva ainda a falta de credibilidade e aceitação pelos mais céticos. Mas o lado positivo é que o custo diminuiu bastante se comparado aos anos anteriores.

O foco da maioria dos estudos que temos no Brasil dão conta que corredores e atletas em geral têm muitas lesões nos tendões e músculos e, como essa cicatrização é lenta e faz com que permaneçam longos períodos afastados do esporte, a técnica trouxe uma esperança na aceleração da recuperação e retorno à prática. Mas vale mais uma vez lembrar que a indicação é médica e criteriosa!

A reportagem mostrada domingo dia 10/01/2010 no esporte espetacular com o título “Técnica revolucionária melhora índice de recuperação de lesões” tem muitos pontos positivos. Mas vale ressaltar também os negativos para que possamos agir de “MENTE ABERTA, MAS COM OLHOS ATENTOS” para decidirmos de forma coerente e individual o que é melhor para cada lesão e cada indivíduo.

O comitê de traumatologia esportiva (www.abtd.org.br) está há muito tempo lutando pela implementação séria deste procedimento, com evidências, colocando todos os pontos positivos e negativos. Esperamos que esta aplicação seja realmente comprovada e devidamente autorizada como estamos vendo nos resultados e nas discussões em congressos como sendo mais um fator adjuvante no tratamento de lesões.

Dra. Ana Paula Simões


Consultora Webrun de ortopedia e traumatologia esportiva. Especialista em medicina e cirurgia do pé e tornozelo, assistente do grupo de traumatologia do esporte da Santa Casa de São Paulo e atual médica da seleção brasileira feminina de futebol Sub-20. Atendimentos: Nove de Julho (11) 3147-9430; Mais Medicina (11) 3872-9190; Santa Isabel (11) 2176-7790 e CORT (11) 3083-7799.
http://lattes.cnpq.br/2785121990946814


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